Como desenhei a estratégia de UX para sistemas de IA que reconhecem emoções e comportamento em triagem de saúde — em 2017, antes da onda de IA generativa.
Dr. Sintomas era uma startup de healthtech que usava IA para identificar condições médicas e orientar tratamentos. O diferencial: sistemas de IA que reconhecem emoções e comportamento humano para tornar a triagem mais precisa e humana.
Em 2017, esse era campo de pesquisa acadêmica, não produto comercial. Meu papel: definir a estratégia de UX de ponta a ponta, criar os fluxos para diferentes segmentos de usuário e garantir que o sistema respeitasse a privacidade dos pacientes num contexto pré-LGPD.
Os testes com pacientes revelaram uma tensão fundamental: usuários em contexto de saúde ficavam desconfortáveis quando o sistema "sabia" muito desde o início. A precisão da IA era real, mas a percepção de vigilância gerava abandono.
A solução: triagem progressiva. Perguntas simples primeiro, reconhecimento de emoções e voz como camada secundária de confirmação. O sistema aprendia gradualmente, e o usuário sentia controle em cada etapa.
Em paralelo, operamos com privacy-by-design como constraint de produto desde o início: cada decisão de UX considerava quais dados eram necessários, como eram comunicados e o que nunca seria coletado. Isso era 2017, pré-LGPD, pós-GDPR.
"O sistema entendia o estado emocional do paciente antes de ele terminar a descrição. A privacidade precisava ser tão cuidadosa quanto a precisão."
· Usuários em contexto de saúde são mais sensíveis à percepção de vigilância. O design precisa comunicar controle em cada etapa, não apenas na política de privacidade.
· IA progressiva: revelar gradualmente o que o sistema percebe reduz desconforto sem perder precisão. O timing do "eu sei" importa tanto quanto o dado em si.
· Atuar em IA antes do hype significa navegar sem referências estabelecidas. O que torna o trabalho mais difícil e, também, mais original.